terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Feliz ano novo. De novo.

Você que almejava perder 10 quilos e terminou ganhando três. Você que até hoje não se ligou que inexiste tal coisa chamada projeto verão. Ninguém fica com o corpo legal malhando de outubro a dezembro.

Alô, você que pensava em se desconectar um pouco, mas perdeu as melhores risadas por não largar a praga do smartphone e ficou só enchendo o saco para repetirem o caso que deu vazão à gargalhada. Você que trabalhou menos do que deveria, ou poderia, porque de cinco em cinco minutos interrompeu as tarefas para ver se alguém curtia suas indiretinhas cretinas no Facebook, o videozinho sem graça, ou a frase pronta do Caio Fernando Abreu.

Você que leria um livro por mês e não deu conta de chegar ao terceiro. Faltou tempo. A propósito, como anda a vida amorosa da Luana Piovani e quem está pegando a Susana Vieira? Você que prometeu ser mais frequente ao teatro, todavia foi somente duas vezes ao cinema, uma delas pra ver filme do Selton Melo porque “os filmes dele sempre são bons”.

Você que fez campanha para o Lula se tratar no SUS sem saber direito o que é câncer, Lula ou SUS. Assinou petição pensando em barrar o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, porém é incapaz de apontar o Pará no mapa. Negritou sua indignação ao divulgar a marcha contra a corrupção e quando chegou o dia, preferiu curtir ressaca. Você que novamente foi levado pela onda, que apenas seguiu o fluxo.

Você que, para variar, resolveu se entregar para o tanquinho e no final desaguou como uma mangueira sem dono esparramada na calçada. Ou que traiu o cérebro e o caráter da sua mulher para transar com a bunda burra que te mandou uma mensagem erótica inoportuna no seu aniversário. E agora está sem cérebro, sem caráter e com medo de bundas.

Você que ainda respira fundo e faz o nome do Pai antes de bater o ponto, lutando brava e dignamente para engolir a inveja do amigo que está de mudança para aquela precária cidade praiana onde dará aulas de ioga para ganhar metade do seu salário. Você que faria trabalho voluntário, mas contentou-se com algumas moedas no sinal.

É, você falhou. A má notícia é que não foi a última vez. A boa notícia é a mesma. Traz também certo alívio saber que você não está sozinho, bem pelo contrário. Falhamos todos. Se isso não precisa ser desculpa para acomodação – use com moderação – contudo ajuda no autoperdão e ele é fundamental para o recomeço. Vamos pegar leve com a gente. A culpa é a mãe das metas inalcançáveis, da punição camuflada em objetivos e também de novos erros. Sonhar sonhos possíveis ou traçar planos realizáveis talvez não seja falta de ambição, mas sinal de autoconhecimento. Cada um que caminhe no seu próprio ritmo e defina o que realmente importa acontecer – ou não se repetir em 2012. A única certeza é que, nem os lentos, nem os apressados, conseguirão cumprir, mudar e conquistar tudo exatamente da forma que imaginarem para o próximo ano. Com fé e movimento, algumas coisas darão certo e tomara que valham o ano.

Outras promessas serão postergadas para depois do Carnaval, quem sabe Semana Santa, e então ficarão perdidas em meio à falta de planejamento e organização, derrotadas pela preguiça, pela falta de tempo ou pela desculpa da falta de tempo, ou ainda interrompidas para as merecidas férias e nunca mais retomadas.

E aí em dezembro teremos outra chance de entender e aceitar que a vida por aqui não teria a mínima graça, nem faria o menor sentido, se não fôssemos esta teimosa e abençoada imperfeição.

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