terça-feira, 13 de setembro de 2011

Para evitar a fadiga


Não finge que não curtiu. Não finge que não fez planos. Se você não assume os sonhos, aí mesmo que eles não se realizam. Sim, você tem mesmo que se preservar. Ninguém quer outra decepção, outro sofrimento.

Mas sofrer é mais digno do que fingir, ser uma mentira. Quando você se esforça para parecer indiferente, a única coisa que esconde são as suas qualidades e aí as chances de dar certo ficam ainda menores. Porque só bobo cai nessa sua conversinha autossuficiente. O inteligente, do tipo que você quer e vive dizendo que são raros, percebe logo de cara que você não é essa fortaleza toda. Que está louca pra trocar esse salto maldito e essa vodca com energético por um casal de taças de vinho, um moletom da Disney surrado e uma pantufa ridícula de sexta-feira à noite. Ele só não ri na sua cara porque, como é raro, além de inteligente é também educado. E pode até ser que essa sua falsa marra transforme-se num desafio bacana, mas se exagerar na dose, a antipatia e a fraqueza somente despertarão preguiça e um pouquinho de pena. E lá se foi outra boa chance em mil. Perdeu.

Tem mais. Fingir demanda muita energia e você já anda com pouca. Academia, trabalho, concurso, salão, TPM, desconversas no Facebook e os penosos chás semanais: de panela, fralda, casa, de cadeira etc. E aí o tempo que sobra você vai gastar ensaiando poses e treinando diálogos para esconder o que realmente quer?

É melhor evitar a fadiga, mas mantendo o movimento. Passo a passo, beijo a beijo. Um SMS depois do outro. A honestidade é sempre o melhor caminho. Dizer o que sente, o que já sentiu e mesmo o que tem medo de sentir. Falar a verdade dá menos trabalho do que segurar o coração. Você nunca conseguiu, não vai ser dessa vez. E depois tem a pele, essa maldita, mais irresponsável ainda que o coração. Porque se ele é fraco e bobão, ela é sem vergonha, safada e sem juízo. Numa boa, é muita coisa pra vigiar e reprimir.

Então a saída talvez seja dar a real, sem frescura. Porque quem nasceu para respeitá-la vai fazê-lo desde sempre. Quem foi feito para a merecer vai ralar para entender cada momento de dúvida, seus receios e razões. E vai saber a conquistar, vai soltar suas amarras e mostrar que o passado não tem esse nome por acaso. E, se ele não quiser tentar nem dar o tempo de que você precisa, então é possível que não a mereça. E sendo assim você não vai querer, certo?

Bonita teoria, né? As chances de funcionar? Mínimas. Uma em mil pode ter sido exagero, mas é comum ter essa impressão. Se fosse fácil ou tivesse regras como prega a autoajuda de prateleira de supermercado, estaríamos todos comprometidos e realizados. Porém a única certeza é que se não tentar, não vai. Tente. Permita-se. Quando faltar aquele empurrãozinho, lembre-se que você no mínimo precisa ser justa. Não é certo que um novo horizonte pague pelo erro do otário anterior. E devagarzinho fica mais fácil perceber se vale a pena ou se é somente outro otário. Aí é só parar onde a sua consciência a levar, lavar as mãos e bola pra frente. Quem perdeu foi ele. Dói muito menos quando a gente sabe que fez a nossa parte.

Vai na fé. Você merece, o corpo precisa e um coração que não acelera ou passa uns sustos de vez em quando acaba enferrujando. Só não finge que leu até a metade. Não finge que não é com você.

4 comentários:

Nana disse...

Depois dos 30 isso vai passar e ela vai querer o primeiro que aparecer :P

Gustavo Tanus Martins disse...

Demais Bruno!
"Tente. Permita-se. Quando faltar aquele empurrãozinho, lembre-se que você no mínimo precisa ser justa."
Permitir-se é algo bem difícil!
Fundamental permitir-se e sentir que realmente vale...
Abraços

Bruno disse...

Valeu pelos elogios, moçada! Muito obrigado mesmo!

Mônica Caldeira disse...

Bruno... Bruno... rs

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